BNCC no Berçário: o que os educadores precisam saber na prática

Nos últimos anos, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) tem se consolidado como o principal documento orientador da educação brasileira, abrangendo todas as etapas da Educação Básica — inclusive a Educação Infantil, da qual o Berçário faz parte. Entretanto, muitos educadores ainda têm dúvidas sobre como aplicar, na prática, os princípios e objetivos da BNCC no trabalho com bebês de 0 a 1 ano e meio, faixa etária marcada por intensos processos de desenvolvimento físico, cognitivo e socioemocional.

A Base Nacional Comum Curricular orienta que a Educação Infantil se organize a partir de práticas que articulem cuidado e educação, assegurando às crianças experiências pautadas nas interações e nas brincadeiras (BRASIL, 2018). No contexto do Berçário, essa orientação implica reconhecer o bebê como sujeito ativo do processo educativo, capaz de se expressar, interagir e construir conhecimentos por meio dos vínculos afetivos, das explorações sensoriais e das experiências vividas no cotidiano da creche.

A Base Nacional Comum Curricular orienta que a prática pedagógica com bebês se organize a partir das interações e das brincadeiras, respeitando os ritmos individuais e valorizando o cotidiano como espaço de aprendizagem (BRASIL, 2018). Nesse contexto, cabe ao educador observar, registrar e planejar experiências significativas que favoreçam o desenvolvimento integral, integrando cuidado e educação e promovendo não apenas o bem-estar físico, mas também a curiosidade, a comunicação e a construção de vínculos afetivos, conforme orientam as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (BRASIL, 2010).

Assim, compreender o que a BNCC propõe para o Berçário é essencial para transformar a rotina em oportunidades de aprendizagem e fortalecer a identidade profissional do educador infantil. Este artigo apresenta os fundamentos, desafios e estratégias práticas para aplicar a BNCC no Berçário com intencionalidade, sensibilidade e segurança pedagógica.

Uma fotografia vibrante e luminosa de um berçário contemporâneo. No centro, uma educadora sorridente está sentada ao nível do chão em um tapete macio, interagindo com um grupo diverso de bebês. Um dos bebês explora um brinquedo de madeira, enquanto outro engatinha em direção a um cesto de tesouros com objetos naturais. O ambiente ao fundo apresenta estantes baixas acessíveis, cores pastéis e uma iluminação natural suave que entra por uma janela grande. A imagem transmite uma atmosfera de segurança, profissionalismo e protagonismo infantil.
Imagem ilustrativa: O Berçário como um espaço de integração entre o cuidar e o educar

Fundamentos legais e normativos da BNCC para o Berçário

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento normativo de caráter obrigatório para todas as redes e instituições de ensino do Brasil, públicas e privadas. Homologada em dezembro de 2017 e implementada gradualmente a partir de 2018, a BNCC define os direitos de aprendizagem e desenvolvimento que todas as crianças devem vivenciar, desde o Berçário até o final do Ensino Médio (BRASIL, 2018).

A Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica, é reconhecida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) como fundamental para o desenvolvimento integral das crianças de 0 a 5 anos. Nesse contexto, o Berçário — que acolhe os bebês de 0 a 1 ano e meio — deve garantir experiências que promovam o cuidar, educar e brincar como práticas indissociáveis (BRASIL, 1996).

Direitos de aprendizagem

A BNCC estrutura a Educação Infantil em seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento — conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se — e cinco campos de experiência, que organizam o currículo conforme as vivências das crianças:

  1. O eu, o outro e o nós;
  2. Corpo, gestos e movimentos;
  3. Traços, sons, cores e formas;
  4. Escuta, fala, pensamento e imaginação;
  5. Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações (BRASIL, 2018).

De acordo com a Base Nacional Comum Curricular, os campos de experiência devem ser compreendidos, no contexto do Berçário, de forma integrada ao cotidiano e às necessidades dos bebês, respeitando seus ritmos, tempos e modos de ser (BRASIL, 2018). Isso implica planejar propostas pedagógicas que articulem as situações de cuidado — como alimentação, sono e higiene — às experiências de aprendizagem, reconhecendo cada momento da rotina como uma oportunidade para o desenvolvimento integral, conforme também orientam as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (BRASIL, 2010).

Além da BNCC, documentos como o Plano Nacional de Educação (Lei nº 13.005/2014) e os Cadernos de Práticas da Educação Infantil, publicados pelo MEC, reforçam o compromisso das instituições em garantir qualidade e equidade desde os primeiros anos de vida. Assim, os fundamentos legais da BNCC sustentam a importância de um trabalho pedagógico intencional no Berçário — que assegure os direitos da criança e valorize o papel do educador como mediador das primeiras aprendizagens.

Características do desenvolvimento no Berçário

O Berçário é o espaço educativo destinado aos bebês de 0 a 1 ano e meio, etapa em que ocorrem transformações intensas no corpo, na cognição e nas relações afetivas. Nessa fase, o bebê aprende a se comunicar, movimentar-se, perceber o ambiente e construir vínculos, estabelecendo as bases para os aprendizados futuros (BRASIL, 2018).

De acordo com a BNCC, o desenvolvimento infantil é global e integrado: não se separa o físico do emocional ou o cognitivo do social. O bebê aprende ao interagir e brincar, em experiências que envolvem o corpo, os sentidos e a afetividade. É por meio da repetição de gestos, sons e movimentos — e da relação constante com o adulto — que ele desenvolve confiança, coordenação e autonomia (BRASIL, 2018).

O psicólogo Henri Wallon (2007) já destacava que o desenvolvimento da criança é construído na relação com o outro e com o meio, integrando emoção, movimento e cognição. Da mesma forma, Vygotsky (1998) enfatiza que as interações sociais são o motor do desenvolvimento, e que, mesmo nos primeiros meses de vida, o bebê é um sujeito ativo e participante. Essas concepções dialogam diretamente com o que a BNCC propõe para o Berçário: o bebê como protagonista de suas experiências e não apenas receptor de cuidados.

Conforme orienta a Base Nacional Comum Curricular, o educador da Educação Infantil deve reconhecer que cada bebê possui tempos, ritmos e formas próprias de desenvolvimento, sendo a observação, o registro e a reflexão elementos centrais da prática pedagógica (BRASIL, 2018). Nesse sentido, a rotina do Berçário — que envolve momentos de alimentação, sono, trocas e brincadeiras — configura-se como um espaço privilegiado de aprendizagens, no qual as dimensões do cuidar e do educar se articulam de maneira indissociável, conforme também estabelecem as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (BRASIL, 2010).

Promover o desenvolvimento integral no Berçário significa criar um ambiente de acolhimento, segurança e estímulo, que respeite os ritmos individuais e incentive a exploração sensorial e o vínculo afetivo. Essa base emocional sólida é o que permite à criança avançar com confiança nas etapas seguintes da Educação Infantil.

Como interpretar a BNCC no contexto do Berçário: desafios práticos

Aplicar a BNCC no Berçário exige que o educador vá além da leitura técnica do documento — é necessário compreender o sentido pedagógico das orientações e traduzi-las em práticas cotidianas que respeitem o ritmo e a linguagem dos bebês. Esse processo é desafiador, pois envolve equilibrar o cuidado essencial com a intencionalidade educativa, um aspecto que nem sempre é claramente compreendido nas instituições (BRASIL, 2018).

Um dos principais desafios no Berçário é planejar experiências de aprendizagem coerentes com os campos de experiência da BNCC, compreendendo que a aprendizagem dos bebês não ocorre apenas em atividades dirigidas. Na Educação Infantil, as interações e as brincadeiras constituem os eixos estruturantes da prática pedagógica, estando presentes também nos momentos de cuidado cotidiano, como alimentação, banho, sono e trocas. Conforme a Base Nacional Comum Curricular, essas experiências devem assegurar o desenvolvimento integral da criança, articulando o cuidar e o educar de forma indissociável (BRASIL, 2018).

A Base Nacional Comum Curricular deve ser compreendida como um documento orientador, que precisa ser interpretado de forma contextualizada, considerando as condições reais das creches, a formação dos profissionais e as características socioculturais das famílias atendidas. Conforme orientam as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, as práticas pedagógicas devem respeitar os contextos de vida das crianças e valorizar a escuta, as interações e as experiências significativas do cotidiano (BRASIL, 2010).
Nesse sentido, o educador assume o papel de observador e pesquisador do cotidiano, transformando cada momento vivido com o bebê em oportunidade de aprendizagem, cuidado e desenvolvimento integral.

Outro desafio é o registro pedagógico. No Berçário, o registro não se limita a preencher planilhas, mas a documentar o processo de desenvolvimento — com observações, fotos, anotações e relatos que permitam compreender como o bebê aprende e se relaciona. Essa prática aproxima o trabalho docente da proposta da BNCC, tornando visível o percurso de cada criança e fortalecendo o planejamento intencional.

O papel do educador na aplicação da BNCC no berçário

Na perspectiva da BNCC, o educador do Berçário é muito mais do que um cuidador: ele é mediador de experiências significativas e observador atento do desenvolvimento infantil. Seu papel consiste em garantir os direitos de aprendizagem e desenvolvimento propostos pela BNCC — conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se — dentro de um ambiente afetivo e seguro (BRASIL, 2018).

De acordo com Horn (2020), o educador precisa atuar com intencionalidade pedagógica, ou seja, planejar cada momento da rotina — desde o banho até as brincadeiras — de forma consciente e com objetivos claros. Essa intencionalidade não elimina a espontaneidade, mas a qualifica, permitindo que o cotidiano se torne espaço de aprendizagens. Assim, cada gesto, som e olhar do bebê é compreendido como forma de comunicação e expressão.

A BNCC (2018) também orienta que o professor organize o ambiente como terceiro educador, conceito inspirado em Loris Malaguzzi e nas escolas de Reggio Emilia. Isso significa dispor os espaços e materiais de modo a promover autonomia, exploração e interações entre bebês e adultos. Tapetes, espelhos, brinquedos sensoriais e objetos do cotidiano podem se transformar em recursos valiosos quando o educador atua com escuta sensível e presença ativa.

Para Barbosa (2006), o educador do Berçário deve ser visto como um pesquisador do cotidiano, alguém que observa, documenta e reflete sobre o que os bebês comunicam por meio dos gestos, expressões e movimentos. Essa postura investigativa permite compreender o ritmo e as potencialidades de cada criança, favorecendo um planejamento personalizado e coerente com os direitos de aprendizagem previstos na BNCC.”

Além disso, o trabalho docente no Berçário envolve formação continuada e trabalho coletivo. O educador precisa ter acesso a momentos de estudo e reflexão em equipe, de modo que o currículo se construa de forma colaborativa e contextualizada. A BNCC propõe justamente esse movimento de reflexão e autoria pedagógica, em que o professor deixa de ser executor de atividades prontas e se torna protagonista na construção de práticas significativas.

Planejamento pedagógico e avaliação na prática do Berçário segundo a BNCC

O planejamento pedagógico no Berçário deve integrar cuidado e educação, considerando os direitos de aprendizagem e desenvolvimento previstos pela BNCC (BRASIL, 2018). Diferente das etapas posteriores da Educação Infantil, no berçário as experiências de aprendizagem estão diretamente relacionadas à rotina de cuidado — alimentação, sono, higiene e brincadeiras — que constituem oportunidades significativas de exploração e vínculo afetivo.

Segundo Oliveira (2011), o planejamento pedagógico no Berçário deve ter como ponto de partida a observação sistemática dos bebês, registrando suas ações, interesses e respostas às interações. Esses registros e a documentação pedagógica são essenciais para compreender os ritmos individuais e construir propostas que respeitem as necessidades específicas de cada criança, promovendo, assim, o seu desenvolvimento integral em todas as dimensões: motora, afetiva e cognitiva.

A avaliação, nesse contexto, não se resume a testes ou indicadores formais. De acordo com Oliveira (2011), trata-se de documentar e interpretar os processos de aprendizagem, por meio de registros, fotos, vídeos e relatos que evidenciem conquistas motoras, cognitivas e socioemocionais. Essa abordagem permite identificar progressos e planejar experiências futuras, garantindo a intencionalidade pedagógica recomendada pela BNCC.

A BNCC também orienta que o planejamento contemple os campos de experiência — o eu, o outro e o nós; corpo, gestos e movimentos; escuta, fala, pensamento e imaginação; entre outros — de forma integrada às atividades cotidianas (BRASIL, 2018). Assim, o educador organiza espaços e materiais que estimulem a autonomia, a comunicação e a exploração sensorial, considerando cada momento como potencial pedagógico.

Por fim, o planejamento coletivo da equipe é fundamental. O estudo compartilhado da BNCC promove coerência e intencionalidade, garantindo que todas as interações e experiências no Berçário contribuam para o desenvolvimento integral e respeitem os direitos das crianças.

Desafios e possibilidades da BNCC no Berçário

Para superar o desafio de “escolarização precoce” alertado por Kramer (2011), o planejamento deve focar em vivências sensoriais e relacionais. Veja como os cinco campos da BNCC ganham vida no cotidiano dos bebês:

Campo de ExperiênciaAções Práticas no Berçário
O eu, o outro e o nósMomentos de banho e alimentação com olhar atento; interação entre bebês em frente ao espelho.
Corpo, gestos e movimentosCircuitos de almofadas para engatinhar; danças com o bebê no colo; exploração de texturas.
Traços, sons, cores e formasBrincadeiras com tintas naturais (como urucum ou beterraba); sessões de musicalização com chocalhos.
Escuta, fala, pensamento e imaginaçãoLeitura de livros de pano; contação de histórias com fantoches; resposta aos balbucios do bebê.
Espaços, tempos, quantidades.Brincar com cestos de tesouros (objetos do cotidiano); observar a luz do sol e as plantas do pátio.

O risco da escolarização precoce é um dos pontos críticos. Quando a BNCC é aplicada sem uma compreensão profunda de seus princípios, há tendência de priorizar resultados cognitivos, desconsiderando o brincar e o cuidado como eixos estruturantes do currículo (BRASIL, 2018). Essa distorção compromete o desenvolvimento integral dos bebês, que aprendem essencialmente por meio das interações e da exploração do ambiente.

“Entretanto, a BNCC traz possibilidades transformadoras ao reconhecer o bebê como sujeito de direitos, valorizando as relações afetivas e as experiências sensoriais como bases do conhecimento (OLIVEIRA, 2011). Esse olhar favorece o planejamento de contextos que estimulem a curiosidade e a autonomia, ampliando o papel do educador como mediador de experiências.”

Outro avanço é o incentivo à formação continuada. Segundo Oliveira (2011), o estudo coletivo da BNCC dentro das instituições fortalece o trabalho em equipe e consolida práticas alinhadas aos direitos de aprendizagem e desenvolvimento previstos no documento.

Assim, compreender e aplicar a BNCC no Berçário implica reflexão constante e escuta atenta, transformando princípios em vivências que respeitem o tempo e as potencialidades dos bebês.

Como aplicar a BNCC no cotidiano do Berçário: exemplos práticos

A aplicação da BNCC no Berçário envolve transformar diretrizes e campos de experiência em práticas cotidianas significativas, respeitando os ritmos, interesses e necessidades de cada bebê. Diferentemente do Ensino Fundamental, a aprendizagem nessa etapa ocorre principalmente por meio de interações, brincadeiras e cuidados, integrando o “cuidar e educar” de maneira indissociável (BRASIL, 2018).

Um exemplo prático de aplicação da BNCC no Berçário é o planejamento de experiências sensoriais, que envolve a oferta de materiais com diferentes texturas, cores, sons e cheiros. Durante essas explorações, o bebê desenvolve coordenação motora, percepção sensorial e linguagem, ao mesmo tempo em que estabelece vínculos afetivos com o educador. Essas vivências dialogam diretamente com os campos de experiência “Corpo, gestos e movimentos” e “Escuta, fala, pensamento e imaginação”, conforme orienta a Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018).

Outro exemplo é o registro da rotina e das descobertas, que permite ao educador identificar progressos individuais. Por meio de fotos, vídeos ou anotações, cada interação se torna evidência do desenvolvimento, auxiliando no planejamento de futuras atividades que promovam aprendizagem intencional e respeitem o ritmo do bebê (OLIVEIRA, 2011).

Atividades de expressão e comunicação também podem ser incorporadas: cantar músicas simples, tocar instrumentos de brinquedo, imitar sons e gestos, ou mesmo observar reações a diferentes estímulos. Essas práticas atendem ao direito de “expressar-se” da BNCC e fortalecem vínculo e sociabilidade.

A organização do espaço é estratégica: cantinhos de exploração, tapetes para movimento livre, brinquedos acessíveis e objetos do cotidiano estimulam a autonomia e a curiosidade. Essa configuração consolida o célebre conceito de “o ambiente como terceiro educador”, formulado por Loris Malaguzzi (apud GANDINI, 2008). De acordo com essa perspectiva, o espaço não é apenas um cenário passivo, mas um elemento que “fala”, convida à ação e educa a criança por meio das possibilidades que oferece.:

Veja abaixo os elementos essenciais desse “ambiente educador”

  • Materiais não estruturados: Caixas de papelão, tecidos e elementos da natureza que instigam a imaginação.
  • Acessibilidade: Móveis na altura dos bebês que permitem o livre acesso aos brinquedos (fomentando a autonomia).
  • Zonas de Calma: Espaços com almofadas e iluminação suave para o acolhimento e descanso.

Conclusão e recomendações para educadores

Aplicar a BNCC no Berçário é um processo que exige atenção, observação e planejamento intencional, respeitando o ritmo, a curiosidade e as necessidades individuais de cada bebê. O documento oferece diretrizes claras, mas deve ser interpretado de forma flexível e adaptada à realidade de cada instituição e equipe pedagógica (BRASIL, 2018).

Ao longo do artigo, observou-se que os educadores desempenham um papel central como mediadores das experiências, garantindo que o cotidiano — desde os cuidados básicos até as brincadeiras — seja um ambiente rico em estímulos e aprendizagem. Conforme fundamentam Oliveira (2011) e Freire (1996), é fundamental que o educador registre, reflita e planeje, transformando cada interação em uma oportunidade real de desenvolvimento integral.

Entre as recomendações práticas para consolidar esse papel, destacam-se:

  • Observar e documentar: Segundo Freire (1996), registrar comportamentos e interesses dos bebês é o que permite ao educador “aprender a olhar” para planejar experiências futuras com intenção pedagógica.
  • Estimular o brincar e explorar: Usar materiais sensoriais e objetos do cotidiano para promover o desenvolvimento cognitivo e socioemocional.
  • Organizar o ambiente de forma intencional: Espaços acolhedores e acessíveis que atuam como suporte à autonomia.
  • Trabalhar de forma colaborativa: O planejamento coletivo e a formação continuada garantem a coerência das práticas na instituição.
  • Respeitar a singularidade de cada bebê: Reconhecer ritmos individuais e adaptar as estratégias conforme as necessidades de cada criança.

Com essas práticas, a BNCC deixa de ser apenas um documento normativo e se torna uma ferramenta viva, guiando a prática pedagógica de maneira significativa e contribuindo para o desenvolvimento integral dos bebês no Berçário.

Referências

BARBOSA, Maria Carmen Silveira. Por amor e por força: rotinas na educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2006.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília: MEC, 2010.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, 23 dez. 1996.

BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação — PNE. Diário Oficial da União, Brasília, 26 jun. 2014.

FREIRE, Madalena. Observação, registro, reflexão: instrumentos metodológicos II. São Paulo: Espaço Pedagógico, 1996.

GANDINI, Lella. O ambiente educativo como terceiro educador. In: EDWARDS, C.; GANDINI, L.; FORMAN, G. As cem linguagens da criança. Porto Alegre: Artmed, 2008.

HORN, Maria da Graça Souza. Sabores, cores, sons, aromas: a organização dos espaços na Educação Infantil. Porto Alegre: Mediação, 2020.

KRAMER, Sônia. Retratos da educação infantil brasileira: um campo em construção. Revista Retratos da Escola, v. 5, n. 9, p. 117-133, 2011.

OLIVEIRA, Zilma de Moraes Ramos de. Educação Infantil: fundamentos e métodos. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

WALLON, Henri. A evolução psicológica da criança. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

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